O que o exame preventivo detecta
O preventivo, também chamado de Papanicolau, é um exame de rastreamento: ele coleta células do colo do útero para identificar alterações que podem estar relacionadas à infecção persistente pelo HPV (papilomavírus humano), principal fator associado ao câncer de colo do útero. A ideia central do rastreamento é encontrar essas alterações antes que se tornem um problema maior, quando ainda são mais simples de acompanhar ou tratar.
É importante entender que o preventivo não é um exame diagnóstico de câncer. Ele sinaliza a necessidade — ou não — de investigação adicional, conforme o resultado.
Quando começar
Segundo as diretrizes brasileiras do Ministério da Saúde e do INCA, a recomendação geral é iniciar o rastreamento aos 25 anos, para mulheres e pessoas com colo do útero que já iniciaram atividade sexual. Essa é uma recomendação de rastreamento populacional, pensada para o maior número de pessoas; a idade de início pode ser discutida individualmente em consulta, conforme histórico de saúde e fatores de risco.
Frequência: de quanto em quanto tempo repetir
De acordo com a mesma diretriz, o esquema recomendado é:
- Repetir o exame anualmente logo após o início do rastreamento;
- Após dois exames anuais consecutivos com resultado normal, o intervalo pode passar para a cada três anos;
- O rastreamento seguindo esse esquema é indicado até os 64 anos, segundo a diretriz.
Esses prazos são a referência das diretrizes brasileiras — a periodicidade individual, incluindo eventuais ajustes por histórico clínico, é sempre definida pelo ginecologista responsável.
Como é feito o exame
A coleta é um procedimento rápido, realizado em consultório, com o uso de um espéculo vaginal para visualizar o colo do útero e uma escovinha ou espátula para coletar as células. Pode haver um desconforto leve durante a coleta, mas geralmente não é um exame doloroso. Não é necessária anestesia, e a paciente costuma retomar suas atividades normalmente logo em seguida.
Resultado alterado não é diagnóstico de câncer
Receber um resultado de preventivo com alguma alteração costuma gerar preocupação, mas a maioria desses resultados não corresponde a câncer. Muitas alterações são discretas, associadas a processos infecciosos ou inflamatórios comuns, e podem regredir sozinhas ou exigir apenas repetição do exame em um intervalo mais curto.
Quando o resultado indica a necessidade de investigação adicional, o próximo passo costuma ser a colposcopia, exame que permite visualizar o colo do útero com ampliação e, se necessário, coletar uma pequena amostra de tecido (biópsia) para análise. A Dra. Andrea Gazzinelli realiza colposcopia em consultório, e a conduta após o exame — repetição, acompanhamento ou biópsia — é sempre definida de forma individualizada.
Quem já tomou a vacina contra o HPV também precisa fazer o preventivo
A vacinação contra o HPV é uma ferramenta importante de prevenção, mas ela protege contra alguns subtipos do vírus, não contra todos os que podem estar relacionados ao câncer de colo do útero. Por isso, as diretrizes brasileiras mantêm a recomendação de rastreamento pelo preventivo mesmo para quem já foi vacinado, seguindo o mesmo esquema de idade e periodicidade.

