Dra. Andrea Gazzinelli

Distúrbios Sexuais Femininos

Queixas como dor durante a relação sexual (dispareunia), queda do desejo sexual ou dificuldade para atingir o orgasmo são motivos legítimos de consulta ginecológica, ainda que muitas mulheres hesitem em falar sobre elas. As causas possíveis são variadas — hormonais, físicas ou emocionais — e costumam se combinar; por isso, a avaliação é sempre individual, sem diagnóstico feito à distância. A consulta é conduzida com sigilo e acolhimento, e nomear a queixa com clareza, sem constrangimento, é o primeiro passo para investigar e cuidar dela.

Do que se trata essa área do atendimento

Esta área do atendimento reúne queixas relacionadas à vida sexual da mulher que, apesar de comuns, muitas vezes não são verbalizadas por vergonha ou por não saberem que existe avaliação e cuidado possíveis. Entre as mais frequentes estão a dispareunia (dor durante a relação sexual), a diminuição do desejo sexual e a dificuldade para atingir o orgasmo.

Nomear essas queixas com clareza clínica, sem eufemismo e sem constrangimento, é parte do próprio cuidado: entender exatamente do que se trata ajuda a paciente a buscar avaliação e permite que a investigação seja direcionada de forma adequada.

Causas possíveis, sempre avaliadas em consulta

As causas possíveis para queixas sexuais femininas são variadas e, com frequência, se combinam. Entre os fatores que podem estar envolvidos estão:

Este texto tem caráter informativo geral e não tem como objetivo diagnosticar a situação de quem o lê. Cada queixa tem uma combinação própria de fatores, que só pode ser esclarecida com avaliação individual.

Como costuma ser a avaliação

A avaliação costuma começar por uma conversa aberta sobre a queixa, seu início, sua evolução e o impacto que ela tem na vida da paciente, além do histórico de saúde geral, ginecológico e, quando relevante, do relacionamento. Comorbidades e uso de medicamentos também costumam ser considerados, já que podem influenciar a função sexual.

O exame físico, quando indicado, é conduzido de forma respeitosa e sempre explicado previamente à paciente. A partir dessa avaliação inicial, o médico pode indicar exames complementares ou encaminhamentos, conforme a situação de cada caso.

Sigilo e acolhimento

Falar sobre sexualidade pode ser difícil, e isso é levado em conta em cada etapa do atendimento. O sigilo médico é um princípio central da consulta, e o espaço é pensado para que a paciente possa se expressar livremente, sem pressa e sem julgamento.

Acolher não significa minimizar a queixa nem tratá-la como tabu: significa dar a ela a mesma seriedade clínica de qualquer outro motivo de consulta, com a privacidade que o tema exige.

Dor súbita e intensa na região pélvica ou genital, ou sangramento fora do padrão habitual associado à relação sexual, não devem esperar a próxima consulta programada: diante desses sinais, procure atendimento médico imediatamente.

Dúvidas frequentes

Sentir dor durante a relação sexual é normal?

Não é algo que precise ser aceito como normal ou definitivo. A dor durante a relação sexual, chamada de dispareunia, tem causas possíveis diversas — muitas delas tratáveis — e merece ser investigada em consulta, não ignorada ou naturalizada.

Queda de desejo sexual sempre tem causa emocional?

Não necessariamente. A queda de desejo sexual pode estar relacionada a fatores hormonais, físicos, emocionais, ou a uma combinação deles, incluindo uso de determinados medicamentos e outras condições de saúde. A avaliação em consulta ajuda a identificar quais fatores estão envolvidos em cada caso.

Vou precisar fazer exames íntimos logo na primeira consulta?

Não necessariamente. A avaliação costuma começar por uma conversa detalhada sobre a queixa, o histórico de saúde e o contexto de vida da paciente. O exame físico, quando indicado, é conduzido de forma respeitosa e sempre explicado antes de ser realizado.

O que eu conto na consulta fica em sigilo?

Sim. O sigilo médico é um princípio central do atendimento, especialmente em temas de saúde sexual. O espaço da consulta é pensado para que a paciente possa falar com liberdade, sem julgamento, sobre queixas que muitas vezes são difíceis de verbalizar em outros contextos.

Referências

  1. 1. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Terapia androgênica para o tratamento da disfunção sexual feminina. FEBRASGO; 2018. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/460-terapia-androgenica-para-o-tratamento-da-disfuncao-sexual-feminina
  2. 2. World Health Organization. Defining sexual health. WHO; 2017. Disponível em: https://www.who.int/teams/sexual-and-reproductive-health-and-research/key-areas-of-work/sexual-health/defining-sexual-health
Dra. Andrea Gazzinelli

Escrito pela equipe do site sob as diretrizes editoriais da Dra. Andrea Gazzinelli — Ginecologista, CRM-MG 54501 · RQE 33485. Conteúdo informativo em revisão médica final. Conheça a Dra. Andrea

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