O que é o laser em ginecologia
O laser mais utilizado em ginecologia para essa finalidade é o laser de CO₂ fracionado, uma tecnologia que aplica microfeixes de luz sobre a mucosa vaginal, estimulando processos biológicos locais, como a produção de colágeno. Nota técnica: o equipamento utilizado nesta clínica é o DEKA SmartXide Touch, um laser de CO₂ fracionado com registro vigente na Anvisa, como exigido para qualquer equipamento médico em uso legal no Brasil. Trata-se de um procedimento médico, com indicação e acompanhamento por ginecologista — não um procedimento de estética de salão.
Para que costuma ser considerado
O laser de CO₂ fracionado pode ser considerado, em pacientes selecionadas, para sintomas da síndrome geniturinária da menopausa — um conjunto de sinais e sintomas relacionados à queda de estrogênio após a menopausa, que pode incluir secura vaginal, ardor, desconforto durante a relação sexual e sintomas urinários. Não é um procedimento indicado para todas as mulheres nem para qualquer finalidade estética: a indicação depende da avaliação de cada caso, incluindo histórico hormonal e exclusão de outras causas para os sintomas relatados.
O que diz a evidência científica
A ciência sobre o uso do laser na síndrome geniturinária da menopausa ainda está em construção, e é importante ser honesta sobre isso. Uma revisão sistemática com metanálise publicada em 2024 na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, que reuniu 12 ensaios clínicos randomizados, identificou melhora de sintomas como ressecamento e dor durante a relação sexual com o laser de CO₂, especialmente quando comparado a laser simulado (placebo). Ainda assim, os próprios autores classificaram a certeza dessa evidência como baixa: a maioria dos ensaios apresentava risco de viés relacionado à randomização e ao cegamento, e havia grande variação no tempo de acompanhamento entre os estudos — de 4 a 24 semanas — e na padronização do protocolo de laser utilizado. Por isso, a revisão concluiu que essa evidência ainda não permite recomendar o laser de forma ampla para o tratamento da síndrome geniturinária da menopausa. A FEBRASGO pondera, em posicionamento sobre cosmiatria genital, que os efeitos observados com laser na mucosa genital são um campo promissor, mas que ainda carece de estudos de longo prazo. Diante desse cenário, cabe à paciente decidir de forma informada, sabendo tanto o que os estudos já sugerem quanto o que ainda não sabem responder.
Avaliação antes de considerar o procedimento
Antes de considerar o laser em ginecologia, a avaliação inclui histórico de saúde geral e hormonal, exame ginecológico e a investigação de outras possíveis causas para os sintomas relatados, como infecções ou alterações dermatológicas. Outras opções também são discutidas nessa conversa — como lubrificantes, hidratantes vaginais e, quando indicado, estrogênio tópico —, já que o laser é uma entre outras possibilidades, não a única. A decisão sobre seguir ou não com o procedimento é sempre conjunta, feita depois dessa avaliação completa.
Sigilo e privacidade
Assim como qualquer avaliação de saúde íntima, a consulta sobre laser em ginecologia é conduzida com sigilo médico, privacidade e respeito, do primeiro contato ao eventual acompanhamento.

