Dra. Andrea Gazzinelli

Laser em Ginecologia

O laser em ginecologia mais utilizado é o laser de CO₂ fracionado, um recurso que pode ser considerado em pacientes selecionadas com sintomas da síndrome geniturinária da menopausa, como secura, ardor e desconforto sexual associados à queda hormonal. A indicação depende de avaliação ginecológica completa, que também considera outras opções, como estrogênio vaginal e lubrificantes. A evidência científica sobre o laser nesse contexto ainda é heterogênea e de certeza baixa, segundo revisão sistemática publicada na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. A consulta é sempre conduzida com sigilo médico.

O que é o laser em ginecologia

O laser mais utilizado em ginecologia para essa finalidade é o laser de CO₂ fracionado, uma tecnologia que aplica microfeixes de luz sobre a mucosa vaginal, estimulando processos biológicos locais, como a produção de colágeno. Nota técnica: o equipamento utilizado nesta clínica é o DEKA SmartXide Touch, um laser de CO₂ fracionado com registro vigente na Anvisa, como exigido para qualquer equipamento médico em uso legal no Brasil. Trata-se de um procedimento médico, com indicação e acompanhamento por ginecologista — não um procedimento de estética de salão.

Para que costuma ser considerado

O laser de CO₂ fracionado pode ser considerado, em pacientes selecionadas, para sintomas da síndrome geniturinária da menopausa — um conjunto de sinais e sintomas relacionados à queda de estrogênio após a menopausa, que pode incluir secura vaginal, ardor, desconforto durante a relação sexual e sintomas urinários. Não é um procedimento indicado para todas as mulheres nem para qualquer finalidade estética: a indicação depende da avaliação de cada caso, incluindo histórico hormonal e exclusão de outras causas para os sintomas relatados.

O que diz a evidência científica

A ciência sobre o uso do laser na síndrome geniturinária da menopausa ainda está em construção, e é importante ser honesta sobre isso. Uma revisão sistemática com metanálise publicada em 2024 na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, que reuniu 12 ensaios clínicos randomizados, identificou melhora de sintomas como ressecamento e dor durante a relação sexual com o laser de CO₂, especialmente quando comparado a laser simulado (placebo). Ainda assim, os próprios autores classificaram a certeza dessa evidência como baixa: a maioria dos ensaios apresentava risco de viés relacionado à randomização e ao cegamento, e havia grande variação no tempo de acompanhamento entre os estudos — de 4 a 24 semanas — e na padronização do protocolo de laser utilizado. Por isso, a revisão concluiu que essa evidência ainda não permite recomendar o laser de forma ampla para o tratamento da síndrome geniturinária da menopausa. A FEBRASGO pondera, em posicionamento sobre cosmiatria genital, que os efeitos observados com laser na mucosa genital são um campo promissor, mas que ainda carece de estudos de longo prazo. Diante desse cenário, cabe à paciente decidir de forma informada, sabendo tanto o que os estudos já sugerem quanto o que ainda não sabem responder.

Avaliação antes de considerar o procedimento

Antes de considerar o laser em ginecologia, a avaliação inclui histórico de saúde geral e hormonal, exame ginecológico e a investigação de outras possíveis causas para os sintomas relatados, como infecções ou alterações dermatológicas. Outras opções também são discutidas nessa conversa — como lubrificantes, hidratantes vaginais e, quando indicado, estrogênio tópico —, já que o laser é uma entre outras possibilidades, não a única. A decisão sobre seguir ou não com o procedimento é sempre conjunta, feita depois dessa avaliação completa.

Sigilo e privacidade

Assim como qualquer avaliação de saúde íntima, a consulta sobre laser em ginecologia é conduzida com sigilo médico, privacidade e respeito, do primeiro contato ao eventual acompanhamento.

Dúvidas frequentes

O laser em ginecologia serve para qualquer mulher?

Não. É um recurso que pode ser considerado em pacientes selecionadas, sobretudo com sintomas da síndrome geniturinária da menopausa. Não é um procedimento estético de rotina nem indicado para todas as mulheres — a indicação depende de avaliação individual.

O laser substitui o uso de estrogênio vaginal?

Não necessariamente. O estrogênio tópico, os lubrificantes e os hidratantes vaginais também são opções para os sintomas da síndrome geniturinária da menopausa. A escolha entre essas alternativas, ou a combinação entre elas, é sempre discutida em consulta.

A evidência científica sobre o laser em ginecologia já é definitiva?

Não. Uma revisão sistemática com metanálise publicada em 2024 na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia classificou como baixa a certeza da evidência disponível, por heterogeneidade entre os estudos e risco de viés na maioria dos ensaios avaliados. Mais pesquisas de melhor qualidade ainda são necessárias.

Minha consulta sobre laser em ginecologia é sigilosa?

Sim. Assim como qualquer avaliação de saúde íntima, a consulta é conduzida com sigilo médico, privacidade e respeito, do primeiro contato ao eventual acompanhamento.

Referências

  1. 1. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Cosmiatria genital. FEBRASGO; 2018. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/454-cosmiatria-genital
  2. 2. Pessoa LLMN, Souza ATB, Sarmento ACA, Costa APF, Santos IK, Azevedo EP, et al.. Laser therapy for genitourinary syndrome of menopause: systematic review and meta-analysis of randomized controlled trial. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (RBGO); 2024. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11460430/
Dra. Andrea Gazzinelli

Escrito pela equipe do site sob as diretrizes editoriais da Dra. Andrea Gazzinelli — Ginecologista, CRM-MG 54501 · RQE 33485. Conteúdo informativo em revisão médica final. Conheça a Dra. Andrea

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