Dra. Andrea Gazzinelli

Distúrbios Urinários Femininos

Incontinência urinária (perda involuntária de urina) e bexiga hiperativa (urgência urinária frequente) são queixas comuns entre mulheres, embora frequentemente pouco relatadas em consulta. Gestação, parto e menopausa estão entre os fatores associados a maior frequência dessas queixas nas mulheres, mas nenhum deles é causa isolada e determinística: a avaliação individual é sempre necessária. Perder urina não deve ser encarado como parte inevitável de envelhecer ou de ter filhos — é uma queixa que pode e deve ser investigada, com abordagem definida conforme cada caso em consulta.

Incontinência urinária e bexiga hiperativa: o que são

A incontinência urinária é a perda involuntária de urina, que pode ocorrer em situações como esforço físico (tossir, espirrar, praticar exercícios) ou associada a episódios de urgência para urinar. Já a bexiga hiperativa é caracterizada por urgência urinária frequente — a necessidade súbita e forte de urinar —, muitas vezes acompanhada de aumento do número de idas ao banheiro, com ou sem perda de urina associada.

São queixas distintas, que podem ocorrer isoladamente ou em conjunto, e cada uma tem características e possíveis condutas próprias. A avaliação em consulta é o que permite identificar qual quadro está presente e orientar os próximos passos.

Por que afetam mais mulheres

Essas queixas são mais frequentes em mulheres do que em homens, e alguns fatores estão associados a essa maior frequência — entre eles, gestação, parto vaginal e a fase da menopausa, que envolvem mudanças na musculatura e nos tecidos de sustentação da região pélvica, além de alterações hormonais.

É importante destacar que nenhum desses fatores é causa isolada ou determinística: nem toda mulher que passou por gestação, parto ou menopausa desenvolve incontinência urinária ou bexiga hiperativa, e essas queixas também podem ocorrer sem nenhum desses antecedentes. A relação entre os fatores de vida da paciente e a queixa apresentada é sempre avaliada individualmente.

Quando procurar avaliação

Perder urina, mesmo que em pequena quantidade, ou sentir urgência urinária frequente não é algo que precise ser apenas "administrado" no dia a dia, com forro absorvente ou evitando líquidos, por exemplo. Essas são queixas com avaliação e abordagens possíveis, e o momento de procurar o ginecologista ou urologista é assim que a queixa começa a incomodar ou a interferir nas atividades cotidianas — não é necessário esperar que o quadro piore.

O que a avaliação costuma envolver

A avaliação costuma começar por uma conversa detalhada sobre a queixa — quando começou, em que situações ocorre, com que frequência — além do histórico obstétrico, ginecológico e de saúde geral da paciente. O exame físico, incluindo avaliação ginecológica, costuma fazer parte dessa etapa inicial.

Conforme os achados dessa primeira avaliação, o médico pode indicar exames complementares específicos. A conduta seguinte — que pode envolver orientações comportamentais, fisioterapia pélvica ou outras abordagens — é sempre definida conforme o quadro de cada paciente, em consulta.

Perda de urina acompanhada de dor pélvica intensa, febre ou sangue na urina não deve esperar a próxima consulta programada: diante desses sinais, procure atendimento médico imediatamente.

Dúvidas frequentes

Perder um pouco de urina ao tossir ou espirrar é normal?

É uma queixa comum, mas não precisa ser aceita como normal ou definitiva. Esse padrão, associado à incontinência urinária de esforço, tem avaliação e abordagens possíveis, e vale a pena ser conversado em consulta em vez de simplesmente evitado ou compensado no dia a dia.

Incontinência urinária só acontece depois da menopausa?

Não. Embora a menopausa seja um dos fatores associados a maior frequência dessas queixas, a incontinência urinária também pode ocorrer em mulheres mais jovens, especialmente relacionada a gestações e partos anteriores, entre outros fatores.

Bexiga hiperativa e incontinência urinária são a mesma coisa?

Não exatamente. A bexiga hiperativa é caracterizada por urgência urinária frequente, muitas vezes com aumento do número de idas ao banheiro, e pode ou não vir acompanhada de perda de urina. A incontinência urinária é a perda involuntária de urina em si, que pode ter mecanismos diferentes. A avaliação em consulta esclarece qual quadro está presente em cada caso.

A avaliação envolve exames invasivos?

Não necessariamente. A avaliação costuma começar por conversa detalhada sobre a queixa e exame físico. Exames complementares, quando indicados, são definidos conforme a situação de cada paciente, e a necessidade de investigações mais específicas é sempre explicada antes de serem solicitadas.

Referências

  1. 1. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Incontinência Urinária Não Neurogênica. Ministério da Saúde; 2020. Disponível em: https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/protocolos/publicacoes_ms/pcdt_incontinencia-urinria-no-neurognica_final_isbn_20-08-2020.pdf
  2. 2. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Tratamento clínico não farmacológico e a incontinência urinária. FEBRASGO; 2018. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/332-tratamento-clinico-nao-farmacologico-e-a-incontinencia-urinaria
Dra. Andrea Gazzinelli

Escrito pela equipe do site sob as diretrizes editoriais da Dra. Andrea Gazzinelli — Ginecologista, CRM-MG 54501 · RQE 33485. Conteúdo informativo em revisão médica final. Conheça a Dra. Andrea

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