Dra. Andrea Gazzinelli

Preventivo (Papanicolau)

O preventivo (Papanicolau) é um exame de rastreamento que coleta células do colo do útero para identificar alterações associadas à infecção persistente pelo HPV, antes que evoluam para um quadro mais grave. Segundo as diretrizes brasileiras do INCA e do Ministério da Saúde, a recomendação geral é iniciar aos 25 anos para quem já teve atividade sexual, repetir anualmente e, após dois exames anuais consecutivos com resultado normal, passar para o intervalo de três em três anos, até os 64 anos. A conduta individual é sempre definida em consulta.

O que é e o que detecta

O preventivo, também chamado de Papanicolau, é um exame de rastreamento: consiste na coleta de células do colo do útero para identificar alterações que podem estar relacionadas à infecção persistente pelo HPV (papilomavírus humano), principal fator associado ao câncer de colo do útero. A lógica do rastreamento é encontrar essas alterações num estágio inicial, antes que evoluam para um quadro mais grave.

É importante destacar que o preventivo não é um exame diagnóstico de câncer. Ele indica a necessidade — ou não — de investigação adicional, conforme o resultado obtido.

Quando começar e com que frequência repetir

Segundo as diretrizes brasileiras do INCA e do Ministério da Saúde, o esquema geral de rastreamento é:

Esses prazos são a referência de rastreamento populacional das diretrizes brasileiras. A periodicidade individual, incluindo eventuais ajustes por histórico de saúde e fatores de risco, é sempre definida em consulta com o ginecologista responsável.

Como é feito o exame

A coleta é rápida e realizada em consultório, com uso de um espéculo vaginal para visualizar o colo do útero e uma escovinha ou espátula para coletar as células. Pode haver desconforto leve durante o procedimento, mas geralmente não é doloroso, e não é necessária anestesia. Após a coleta, a paciente costuma retomar as atividades normalmente.

Resultado alterado não é diagnóstico de câncer

Um resultado de preventivo com alguma alteração costuma gerar preocupação, mas a maior parte desses resultados não corresponde a câncer. Muitas alterações são discretas, associadas a processos infecciosos ou inflamatórios comuns, e podem regredir sozinhas ou exigir apenas repetição do exame em um intervalo mais curto.

Quando o resultado aponta a necessidade de investigação adicional, o próximo passo costuma ser a colposcopia, exame que permite visualizar o colo do útero com ampliação e, se necessário, coletar uma pequena amostra de tecido para análise. A conduta após um resultado alterado é sempre individualizada e definida em consulta.

Vacina contra HPV não substitui o preventivo

A vacinação contra o HPV é uma ferramenta importante de prevenção, mas protege contra alguns subtipos do vírus, não contra todos os que podem estar relacionados ao câncer de colo do útero. Por isso, as diretrizes brasileiras mantêm a recomendação de rastreamento pelo preventivo mesmo para quem já foi vacinada, seguindo o mesmo esquema de idade e periodicidade.

Sinais como sangramento fora do padrão habitual, corrimento com odor forte ou dor pélvica persistente não devem esperar a próxima coleta programada: diante desses sinais, procure atendimento médico imediatamente.

Dúvidas frequentes

Com que idade devo fazer meu primeiro preventivo?

Segundo as diretrizes brasileiras, a recomendação geral de rastreamento é iniciar aos 25 anos para quem já teve atividade sexual. Essa é uma referência populacional; o momento ideal para cada pessoa pode ser conversado em consulta, considerando histórico de saúde e fatores individuais.

Posso fazer o preventivo durante a menstruação?

De forma geral, prefere-se evitar a coleta durante o fluxo menstrual mais intenso, pois isso pode dificultar a leitura da amostra. A melhor data para o exame pode ser confirmada com a equipe no momento do agendamento.

O exame preventivo dói?

O procedimento costuma causar, no máximo, um desconforto leve e rápido durante a coleta, sem necessidade de anestesia. A sensibilidade varia de pessoa para pessoa, e dúvidas sobre o que esperar podem ser esclarecidas antes do exame.

Resultado alterado no preventivo significa que eu tenho câncer?

Não. A maior parte dos resultados alterados corresponde a alterações celulares que não são câncer e que, em muitos casos, regridem sozinhas ou exigem apenas acompanhamento. Um resultado alterado é um sinal para investigação adicional — geralmente com colposcopia —, não um diagnóstico fechado. A conduta é sempre definida pelo médico responsável.

Quem já tomou a vacina contra HPV pode deixar de fazer o preventivo?

Não. A vacina reduz o risco relacionado a alguns subtipos de HPV, mas não cobre todos os tipos associados ao câncer de colo do útero nem substitui o rastreamento. As diretrizes brasileiras mantêm a recomendação do preventivo mesmo para pessoas vacinadas, no mesmo esquema de idade e periodicidade.

Referências

  1. 1. Instituto Nacional de Câncer. Câncer do colo do útero. INCA; 2024. Disponível em: https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-do-colo-do-utero
  2. 2. Ministério da Saúde. HPV. Ministério da Saúde; 2024. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/h/hpv
Dra. Andrea Gazzinelli

Escrito pela equipe do site sob as diretrizes editoriais da Dra. Andrea Gazzinelli — Ginecologista, CRM-MG 54501 · RQE 33485. Conteúdo informativo em revisão médica final. Conheça a Dra. Andrea

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